Há dias para tudo

O 10 de Outubro é o Dia Mundial da Saúde Mental.
Estive envolvida numa acção de sensibilização sobre a “coisa”.
Primeiro passou-se a versão da Meca do Cinema sobre a figura do John Nash depois convidaram-se a falar duas pessoas peritas no tema e/ou personagem retratada…
Viu-se o filme (procurava focalizar-se a atenção para a experiência das famílias, no convívio com sujeitos problemáticos).
Ora eu, que já tinha visto o dito enredo umas duas ou três vezes antes, que ainda tenho meia dúzia de costelas matemáticas e que até me vejo (cada vez mais) enrolada nas questões que cuidam o modo como as pessoas lidam com elas e, consequentemente, como lidam com os outros [ou isto, precisamente, ao contrário]…
… Reparei que, em boa verdade, a única coisa que ali preocupava toda a gente era esta impressão crescente de ninguém (ou pouca gente) saber lidar bem com os outros, de poucas pessoas afirmarem, de consciência cantada, que estão bem na vida que é a sua e no jeito de se darem aos outros que consigo, de algum modo, partilham os dias.
Bom… tudo isso no dia dedicado à saúde mental… mas, convenhamos, é mais outro que devia ser como o Natal, não?! Cuidarmos dela (a saúde mental, está bem de ver!) antes que ela arrume connosco!
O meu elixir passa pelas palavras, as que se trocam, as que se dizem, as que se escrevem mas, muito especialmente,
Primeiro passou-se a versão da Meca do Cinema sobre a figura do John Nash depois convidaram-se a falar duas pessoas peritas no tema e/ou personagem retratada…
Viu-se o filme (procurava focalizar-se a atenção para a experiência das famílias, no convívio com sujeitos problemáticos).
Ora eu, que já tinha visto o dito enredo umas duas ou três vezes antes, que ainda tenho meia dúzia de costelas matemáticas e que até me vejo (cada vez mais) enrolada nas questões que cuidam o modo como as pessoas lidam com elas e, consequentemente, como lidam com os outros [ou isto, precisamente, ao contrário]…
… Reparei que, em boa verdade, a única coisa que ali preocupava toda a gente era esta impressão crescente de ninguém (ou pouca gente) saber lidar bem com os outros, de poucas pessoas afirmarem, de consciência cantada, que estão bem na vida que é a sua e no jeito de se darem aos outros que consigo, de algum modo, partilham os dias.
Bom… tudo isso no dia dedicado à saúde mental… mas, convenhamos, é mais outro que devia ser como o Natal, não?! Cuidarmos dela (a saúde mental, está bem de ver!) antes que ela arrume connosco!
O meu elixir passa pelas palavras, as que se trocam, as que se dizem, as que se escrevem mas, muito especialmente,
as Palavras Partilhadas!
Contem, Qual é o vosso?
a

38 Comments:
Ora ai está uma boa pergunta! Vou pensar no assunto e depois partilho contigo. De preferência numa tarde de esplanada em que só se dizem disparates e há sempre alguem a querer ir trabalhar ;). O que achas?
E eu é que ando com pensamentos não-sei-o-quê!...
Elixir? Deixa cá ver. Sem dúvida alguma, este espaço que partilhamos todos os dias, dizendo-nos e lendo-nos uns aos outros. Depois, também as palavras dos nossos faladores de escrita profissionais, aqueles que nos dão o prazer de dizer: Ando a ler este ou aquele livro. Também, ainda a nível das palavras escritas em papel e de forma ordenada, as que agora a escolinha me "obriga" a ler e que também sabem muito bem. Em resumo: tudo o que posso classificar como elixir anda em torno de palavras! E de comunicação: ora daqui para aí, ora de mim para os livros e vice-versa... Ainda dizem que uma imagem vale mais que mil palavras! Se calhar, nem sempre é assim!...
Um grande xi, amiga!
huuuummmmm eu sou completamente perturbada, nem me passa pela cabeça dizer que estou sempre bem... agora, um elixir... as palavras são um bom, mas o MAR a mim faz-me mais efeito...
Essa da sanidade mental tem muito que se lhe diga...
Gente que fala quando não deve, pessoas que teimam em ficar caladas quando devem falar, e agora esta chuva miudinha para acizentar os dias.
Não fosse o jantar de amanhã e acho que dava em doido :D
O meu elixir? Sem dúvida que é minha filhota e o mar.
Pois que para mim não há elixir que me dome. Só a ECT e uma dose cavalar (vão ao blog da Cadelinha para perceberem) da dita.
Doido
PS: Estou cada vez pior!
Nada como partilhar aquilo que não se pode modificar. E aceitar...
Beijo Maria, bem vinda!, de novo.
O ser fechou e o manual está intermitente. Para que saibas!
Gostei muito de passar por aqui. Parabéns pela forma como se escreve.
Quanto ao elixir, não conheço nenhum completamente eficaz, mas acredito que qualquer que ele seja, passa necessariamente pelo amor, por uma mão amiga na nossa mão.
O elixir para partilhar
"O artista é o criador de coisas belas.
Revelar a arte e ocultar o artista é o objectivo da arte.
(...) " para o artista, o pensamento e a linguagem são instrumentos de uma arte...
(...)O que a arte espelha realmente é o espectador e não a vida.
A diversidade de opinião sobre uma obra de arte revela que a obra é nova, complexa e vital..."
in "O retrato de Dorian Gray"
Oscar Wilde
Antigamente o meu elixir era o Jack Daniels; 3 copinhos e ei-la reposta a saúde mental! Depois a psiquiatria proíbiu e trocou-o por muitos comprimidos. Agora, acho que o elixir sou eu próprio, e dou-me a mim e aos outros em doses ponderadas, medidas, pensadas. E espelhos: olhar olhos nos olhos de mim e interrogar-me se estou bem, se preciso de algo, se me ataca alguma urgência, se não cuidei do vital. E a Maria. A Maria é definitivamente elixir.
Facto é que a Saúde Mental, como aliás toda a Saúde, é um bem escasso. Há que cuidar dela antes da perder. Não são necessários elixires, é necessária prudência. E sorte no totobola genético. E filmes com doidinhos é o Shine e o Shining; Uma mente brilhante é um pirilampo escasso. Até o girl interrupted é melhor. Já esquecia: Rain man
Adenda: Voando sobre um ninho de cucus; A gaiola das malucas ( o 1º. ); E o Metrópolis; e para acabar, não em beleza, Apocalipse now.
o meu passa pelo mar....rigoroso.denso. doce. com palavras a boiar...e um beijo para ti.
Neste Portugal imenso
Quando chega o verão,
Não há um só ser humano
Que não fique com tesão.
É uma terra danada,
Um paraíso perdido.
Onde todo o mundo fode,
E todo o mundo é fodido.
Fodem moscas e mosquitos,
Aranhas e escorpiões,
Fodem pulgas e carrapatos,
E as empregadas c'os patrões.
Os brancos fodem os pretos,
Com grande consentimento,
Há "Amigos" que fodem as noivas
Até à hora do casamento.
O General fode o Ministro,
A Autarca, a ordem de prisão
E os da Assembleia da República
Vivem fodendo a nação.
Os frades fodem as freiras,
O Padre fode o sacristão,
Até, na seita do crente,
O pastor fode o irmão.
Todos fodem neste mundo
Num capricho que alívia.
E os danados dos VIP'S
Fodem os putos da Casa Pia.
Parece que a natureza
A todos nos vem dizer,
Que andamos neste mundo
Somente para foder.
E você, meu nobre amigo
Que agora se está a entreter,
Se não gostou da poesia
Levante-se e vá-se foder!!!
O tema saúde mental atrai especialistas, está visto. O Sr. que me precede é manifestamente insigne paciente ( embora sem resultados visiveis ) de um colega da Drª. Maria, ou vários; de qualquer maneira, é indelicado. Devia ter posto uma bolinha no comment. Enfin...
Paulo: a especialidade dele, hoje, é atacar blogs pela primeira vez. E, como não dá para mais, repete-se! Será isso um sinal (outro) de insanidade?
Xis
Ó paulinho, perdeste uma das bolinhas?
Cadelinha, levanta-te!!! lol
Cambada de presumidos queques, se deixa-sem mas é de se armarem
Ao menos devias ter respeito pela dona do blog, já que para mais não tens inteligência!
O Armstrong ganhou sete voltas a França só com uma bolinha; tu com as duas só dizes asneiras; resumindo, o queque é uma maravilha culinária; sobertudo com chá; devias experimentar; é bom.
... sobretudo a parte do chá!
Passa por gostar de ler quem sabe expressar-se por palavras.
:)
Paulo e Lésse:
Deixem!
"Agarremo-nos" às coisas boas de que gostamos e façamos delas razão para os dias!
[já vi da repetição, Lésse, na verdade, uma vez já teria sido excessivo mas... é o que faz deixarmos quem não está registado escrever nos espaços que mantemos... mas, também podia um qualquer artolas fazer um registozito e zumba, dava no mesmo!]
É tão bom ouvir-vos!
Sobre as Palavras, a Arte, a Música, partilhar disparates em esplanada (Waldorf, deixa de ser pestinha! :)) o Amor, as filhinhas ou os filhotes! (de quem tem razões grandes dessas para brindar!) o Mar...
ah... o MAR...
:)
[Lembrei-me agora... os AmiCães! sim, o Assis tem sido fundamento de resistência, para mim... oh, se tem!]
mas não é bom ir trabalhar?!?! as esplanadas fazem-me dores nas costas...
quem é que disse que eu não era peturbada??! elixir, elixir, por amor aos deuses! elixir!!!
vou confessar uma coisa, não gosto de anónimos, gosto de pessoas que assumem as coisas. e gosto ainda menos de anónimos que, segundo percebi, andam a largar asneirada igual em todo o lado, só por largar ofensas!
tirando o facto de a autora poder não gostar dos palavrões, olhem que a coisa estaria bem jogada se fosse assumida!! ok, o assunto é sério, a saúde. a pouca mental eu conheço bem, infelizmente. mas confesso outra vez, não consegui deixar de rir com o espantástico poema!
* e pelo menos assumo!
Saber ouvir é um bem muito precioso. A partilha é sempre um elixir, mas, a partilha começa sempre por aceitar aquilo que os outros pretendem partilhar.
A volúpia de sonhar, indefinidamente, e todos os meios são bons para dizer que gostamos, e dizemos que gostamos usando a palavra, porque sonhar é gostar, embora sonhar e gostar sejam duas palavras... isto parecem aqueles versos do Ruy Belo, «as palavras são seixos que rolo na boca antes de as soltar...», mas a palavra é, sem dúvida, o elixir mais libertador.
Sim... ir trabalhar também é bom (mas, maresia, eu passei a vida a fazer disso razão de vida, gostava de saber mais, de encontrar mais!)
Enrolar as palavras é sempre sinal sentido, c.s.a., Bom dia! Aceitar, como diz ali a choninha ou o fëaraniâ também me parecem ingredientes importantes...
uhm... pois é, estes espaços, quando nos põem a conversar, são possibilidades de novas partidas, são!
:)
o meu é o amor, o MEU AMOR! ;)
Nem sempre nos sentimos bem na nossa pele...é inevitável! Mas termos consciência disso é um bom sintoma.
Do que gosto? Gosto de ver pessoas, falar com elas e podendo abrir-me, abro-me com todo o gosto.
as letras, Maria. as Letras..
A lucidez é de tal modo escassa nestes dias que correm, que bem tinham de criar um dia a si dedicado! =)
Não sabia da data, e por isso nem sequer pensei muito no assunto! Mas parece-me pertinente o modo como abordaste a questão e as conclusões a que chegaste! ;)
Apertar um.
A lua claro está!!!! outra resposta não seria de esperar!!!
UM
A
B
R
A
Ç
O ENORMEEEEEEEEEEEEEEE
Devia ser o Amor, no sentido lato do termo..
Temo porém, que o Homem ande mais preocupado com o próprio umbigo.
Adoro a noite. Há nela magia, não achas?
Ah e as letras...não saberia viver sem elas.
Um beijo
não me lembrei de um elixir para mim, mas ontem senti-me um elixir da paz de outra pessoa. fazes-me sono, sabes?! tornou-se na potencialmente mais bonita declaração de [amor]. é bom dar a paz a alguém...
Engraçado... o meu sítio principal chama-se "As Palavras Por Dentro" e um dos meus "sítios satélites" tem o nome de "Coisas". São, realmente elixires, senão de juventude, pelo menos de lucidez.
Seremos feitos um para o outro? :-)
o silêncio..porque só ele deixa que nos ouçamos....
Só é pena que o anónimo não se dê a conhecer. Releiam a sua poesia nas entrelinhas.
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